23/09/2012

Hyundai HB20


 Fabio Aro

A primeira impressão ao entrar no Hyundai HB20 é de um carro bem acabado. Não há luxos, claro, mas a forração de tecido está presente em grande parte das laterais de porta, as peças plásticas se encaixam com precisão e não encontramos rebarbas - o que já é um alento nessa faixa de preço. Os bancos trazem tecido de qualidade na média da categoria, com destaque para o assento do motorista, que traz uma gavetinha sob ele. Ruim é que o ajuste de altura, por roldana, só eleva a parte dianteira do assento. Os comandos estão bem distribuídos e são fáceis de acessar, mas algumas comodidades só são encontradas nas versões mais caras. É o caso do ajuste de altura e prefundidade da direção, dos retrovisores elétricos e do sistema de som com CD/MP3 player e entrada USB no painel. Vale lembrar que, ao adquirir o rádio, você leva também os botões para comandar o áudio no volante. O computador de bordo é de série em todos os modelos, acessado pelo botão "trip" no próprio painel.
O belo quadro de instrumentos chama a atenção. Além de ser muito parecido com o do Elantra (com "copinhos" em volta do velocímetro e conta-giros), ele oferece iluminação constante (na cor azul), independentemente dos faróis estarem ligados. O volante de quatro raios tem boa pegada e os comandos dos vidros elétricos estão bem localizados na porta. Pena que somente o do motorista tenha função "um toque", e que não exista iluminação noturna dos botões. Aliás, a versão topo de linha tem o sugestivo nome "Premium", indicando que o HB pode adentrar a serada dos compactos mais refinados, como New Fiesta,Punto e C3. Para tanto, porém, faltam itens como ar digital, teto solar, retrovisor eletrocrômico, entre outros equipamentos.
Fabio Aro

Em termos de espaço, o HB20 segue o padrão do segmento. É bom na frente, nem tanto atrás. Apesar da boa distância entre-eixos (2,50 m), quem viajar no banco traseiro e tiver mais de 1,75 m vai raspar os joelhos no encosto da frente. Mas a Hyundai foi inteligente e deixou o assento baixo, priorizando o espaço para a cabeça. Assim, mesmo os mais altos não precisarão se sentar curvados para a frente. Já o porta-malas, de declarados 300 litros, é um pouco maior que o de Gol e Palio (285 l e 292 l, segundo medições de Autoesporte) e agrada por não ter muitas reentrâncias no compartimento. A maçaneta externa fica rente ao para-choque. E o tanque de combustível é aberto por uma alavanquinha interna.
Na pista com o 1.0
Impossível não lembrar do Picanto ao dirigir o HB "mil". Equipado com o mesmo motor Kappa 1.0 12 válvulas do Kia, o Hyundai tem funcionamento e respostas muito semelhantes. Trata-se de um motor inovador (ao menos no Brasil), de apenas três cilindros e duplo comando de válvulas variável. A vibração típica de blocos desse tipo é bem atenuada com o uso de um coxim respeitável. O motorista só vai perceber essa vibração em marcha lenta, parado no semáforo. Fora isso, o ruído de funcionamento é bem diferente dos quatro cilindros, mas o ronquinho é até agradável de ouvir. O Kappa ganha rotação com facilidade e oferece boa dose de torque (10,2 kgfm) para o dia a dia. A potência de 80 cv também supera a dos principais rivais. E o resultado é um carro agradável de conduzir, sem déficit de força aparente como no Palio1.0, por exemplo. O desempenho nas saídas é também mais esperto que o do Gol, deixando o HB em posição confortável nesse quesito. O consumo não foi divulgado pela marca, mas deve ficar em níveis próximos aos do Picanto, em torno de 9 km/l na cidade e 12 km/l na estrada, com etanol.
Hyundai
CAMBIO AUTOMÁTICO É DE QUATRO MARCHAS.
Ajuda na boa dirigibilidade o câmbio de engates macios e curtinhos (lembra o do Gol) e a direção hidráulica bastante leve, que chega a parecer um sistema elétrico. Já a suspensão foi calibrada entre a maciez do Palio e a firmeza do Gol, com acerto um pouco mais voltado para o VW. Ficou bom: absorve os buracos com competência (o que era a prioridade da Hyundai) sem descuidar da estabilidade. Não chega a ter a precisão do VW quando se entra mais rápido nas curvas, mas os movimentos da carroceria são bem contidos. No limite, é um carro fácil de controlar. Ressalva feita apenas para os freios, já que o pedal é um tanto sensível.
A hora do 1.6
A primeira intimada nos 128 cv do motor Gamma já deixa claro que o HB20 1.6 16V vem para liderar a categoria em termos de desempenho. Trata-se da mesma unidade que equipa o Kia Soul, com bons 16,5 kgfm de torque. É força mais que suficiente para proporcionar acelerações animadas ao hatch compacto (a marca fala em 9,3 s de 0 a 100 km/h). O motor funciona "liso", sobe de giro rápido e é gostoso de trabalhar em altas rotações. O câmbio é diferente do 1.0 (aqui a ré é para frente, no "mil" para trás), mas o entages são tão precisos e suaves quanto os da versão mais barata.
Fabio Aro

O resultado é um conjunto com performance quase esportiva. Acho até que a Hyundai foi conservadora na escolha do calçado do HB20, já que o máximo oferecido são rodas aro 15 com pneus 185/60. Não que falte estabilidade ao hatch, mas certamente um jogo aro 16 com pneus 195/50 como os do Gol topo de linha deixariam a dirigibilidade mais afiada, ainda que comprometessem um pouco o conforto. Também não foram informados dados de consumo dessa versão.
Todo HB20 1.6 vem com freios ABS de série. Ainda assim, os freios poderiam ter mais "mordida". E, como acontece no 1.0, o pedal é muito sensível e difícil de modular.
Fabio Aro

1.6 automático
Como dissemos nas outras vezes que tivemos contato com o HB, o câmbio automático de apenas quatro marchas não compromete, mas é limitado para o ótimo motor que trabalha em parceria com ele. A aceleração de 0 a 100 km/h fica em bons 11,0 s, de acordo com a marca. O que pega são as retomadas, já que a transmissão fica um pouco indecisa sobre qual marcha usar e perde um tempo precioso numa ultrapassagem, por exemplo. Também há escassez de recursos, já que não é possível fazer trocas manuais ou desativar a quarta marcha (pelo botão overdrive off oferecido em alguns automáticos). O máximo que você pode fazer é reduzir a marcha pelo próprio trilho da alavanca.
De todo modo, é um câmbio de trocas suaves, que proporciona mais conforto que os automatizados de GolPalio. A Hyundai diz que não optou pela nova transmissão de seis marchas (que equipa os Kia Soul eCerato), por questões de custo. Mas vale lembrar que vem aí o Chevrolet Onix com câmbio automático de seis velocidades.

Chevrolet Spin VS Grand Livina



O reinado das minivans, que se consolidou no começo dos anos 2000, durou pouco. Coincidiu com o lançamento da Zafira, em 2001, ganhou peso com a chegada da concorrência francesa, mas arrefeceu. Hoje, por menos de 100 000 reais, apenas nove modelos carregam sete. Para colocar o lançamento da GM à prova, escolhemos a versão topo de linha, a LTZ equipada com transmissão automática. Por 54 690 reais, a Spin reanima uma faixa de mercado sem novidades. Apenas a Grand Livina consegue encará-la em condições (quase) iguais. Partindo de 57 690 reais, a Nissan lançada em 2009 é capaz de deixar para trás a Zafira, mas não tem armas suficientes para bloquear a nova Chevrolet. O JAC J6 fez sua estreia exatamente um ano atrás, mas ainda não tem opção de câmbio automático. E por isso ficou de fora, mesma razão pela qual eliminamos o Fiat Doblò.

Spin e Grand Livina, nas versões automáticas, são as opções mais em conta para quem precisa de sete assentos e não abre mão da comodidade de não ter de trocar marchas. A Chevrolet leva a melhor por oferecer mais por menos. É rica em equipamentos e fica na frente em modernidade, quesito em que a minivan nipo-brasileira perde feio. Excessivamente racional, a Grand Livina não oferece itens essenciais em um carro familiar.

Basta olhar para o painel da Spin e perceber que estamos dentro de um projeto mais moderno e amigável. A começar das cores claras de portas e assentos, que melhoram a sensação de amplitude. Ela tem quadro de instrumentos com mostradores digitais, nichos para objetos aos montes, tomada de 12 V no centro do console e porta USB para o sistema de som. Na Nissan, você encontrará apenas o básico. Há porta-objetos à frente da alavanca de câmbio e nos bolsões das portas. O porta-luvas não tem luz interna e o máximo que o rádio traz é a anacrônica entrada auxiliar. Bluetooth? Não. Volante multifuncional? Não. Alerta de cintos não afivelados? Ajuste de altura para o banco do motorista? Sensor de estacionamento? Não, não e não. O vidro elétrico do motorista tem função um-toque para baixar a janela, não para subir. Por quase 60 000 reais, regulagem de altura para o assento do motorista deveria ser de série, mas não existe nem como opcional. O mesmo ocorre com o sensor de obstáculos na traseira, que seria bem-vindo em um veículo de 4,4 metros de comprimento. Para compensar parte das ausências, a minivan da Nissan tem uma chave inteligente que não precisa sair do bolso do motorista. Para abrir e travar as portas, basta pressionar um botão na maçaneta.

Os dois modelos têm ajuste de altura da direção, mas ambos ficam devendo a regulagem de profundidade. Na Spin, a ausência é justificada pela plataforma compartilhada com o Cobalt. No capítulo direção, a Nissan fica na dianteira, pois utiliza assistência elétrica, superior ao sistema hidráulico da minivan feita em São Caetano do Sul (SP).

Também na maciez de rodagem e facilidade para manobrar, a Grand Livina defende-se melhor. É até mais prazerosa de dirigir, sensação que surge aos poucos, com o costume. Mesmo com a falta de ajustes no banco, após algumas voltas é possível encontrar uma posição confortável para guiar. Se eu pudesse fazer uma sugestão à Nissan, pediria que reduzisse a densidade da espuma dos bancos, dura demais.

O motor 1.8 do monovolume feito em São José dos Pinhais (PR) conta com comando de válvulas variável, o que ajuda a manter o bom desempenho em altas e baixas rotações. É ele o responsável pela superioridade da Nissan na pista. Na prova de aceleração, precisamos de 11,6 segundos para atingir 100 km/h, enquanto a Spin exigiu 13,6. Nas retomadas, a Grand Livina também ficou na frente. De 80 a 120 km/h, ela marcou 9,1 segundos, contra 11,5 da Spin. O pênalti está na transmissão de quatro velocidades, dotada de overdrive e dois bloqueios de marcha. A falta de marchas faz o motor trabalhar em alta rotação quando não se precisa de tanto torque, o que ainda aumenta o ruído interno.

Suspiros saudosos 

A Spin agrada ao contrário. O motor deixa a desejar, mas se destaca pelo câmbio sequencial de seis marchas, compartilhado com o sedã Cruze. O Ecotec 1.8 gasta mais, marcando 6,5 km/l na cidade e 8,4 na estrada. A Nissan fechou com 7,3 e 9,8 km/l nos mesmos circuitos.

Quanto à terceira fileira de bancos, ambas arrancam suspiros saudosos de ex-donos de Zafira. O sistema Flex7 do monovolume descontinuado escondia os bancos adicionais sob o assoalho do porta- malas. O Nissan se sobressai por utilizar um sistema rebatível, que deixa o porta-malas praticamente plano. Sua área de carga varia de 123 a 964 litros. O Chevrolet rebate os bancos de trás, que não ficam totalmente escondidos. Isso rouba espaço no maleiro, reduzindo seu volume para 553 litros. A Spin LT, de cinco lugares, dispõe de 710 litros.

Quem viaja nos assentos do fundão ficará mais bem acomodado na Nissan, que tem a segunda fileira rebatível, reclinável e ajustável em distância, pois foi instalada em um sistema de trilhos. O espaço maior é resultado do balanço traseiro alongado. A GM optou por utilizar a mesma carroceria para as versões de cinco e sete lugares.

Com a chegada da Spin, uma reforma na Grand Livina torna-se premente. Desde 2009, seu preço despencou de 69 390 reais para 57 690 reais, mas continua elevado. Criada para incomodar a GM, tornou-se presa fácil para a nova rival.



SPIN

DIREÇÃO, FREIOE SUSPENSÃO 

Volante é leve, mas ficaria melhor com assistência elétrica. Freios eficientes deram resultados otimistas.

MOTOR E CÂMBIO

Na mecânica, perde pontos de forma contrária ao Nissan.Tem câmbio competente, de seis marchas e trocas sequenciais, mas o motor de oito válvulas não acompanha a evolução da transmissão.

CARROCERIA

Com visual morno, não ganha concurso de design, mas a solução que permite cinco ou sete lugares na mesma carroceria merece destaque.

VIDA A BORDO

Amigável para famílias, é rica em porta-objetos e tem fartura de itens de comodidade, como controle do rádio no volante, banco com ajuste de altura e mostradores digitais.

SEGURANÇA

ABS e airbags são de série, mas deve o encosto de cabeça e cinto de três pontos para quem viaja no meio e na terceira fileira de assentos.

SEU BOLSO

É a melhor opção de compra do segmento. Na faixa de 55 000 reais, é o familiar mais rico em equipamentos de segurança e conforto. Versões de cinco lugares repetem o custo- benefício interessante.



GRAND LIVINA

DIREÇÃO, FREIOE SUSPENSÃO

Tem suspensão firme, mas foi pior que a Spin nos testes de frenagem. Agrada pela direção com assistência elétrica, item que conta bons pontos.

MOTOR E CÂMBIO

Propulsor de 16V roda suave com o giro alto e é valente em baixa, graças ao comando variável. Já o câmbio de quatro marchas, ultrapassado, não acompanha o ritmo.

CARROCERIA

Traseira alongadaa distingue da Livina. Design nunca foi seu forte e mostra sinais profundos de idade. Precisa de renovação com urgência.

VIDA A BORDO

A Spin evidenciou a defasagem da Livina, que carece de regulagem de altura no banco do motorista e até de recursos básicos, como o um-toque para todos os vidros. O rádio de série é simples, falta Bluetooth e USB. Volante multifuncional? Nem como item opcional.

SEGURANÇA

Tem freios ABS e airbags duplos, mas, assim como a rival, não tem cinto de três pontos ou encosto de cabeça no meio do assento ou para quem viaja atrás.

SEU BOLSO

Era uma ótima opção em 2009, mas o mercado está mais exigente. Excessivamente racional e pouco equipada, por preço maior que a Spin.



VEREDICTO

Se tivesse sido lançada há dez anos, a Grand Livina seria imbatível. Hoje, na faixa dos 60000 reais, o comprador exige equipamentos e amenidades que esta Nissan não oferece nem como opcional. Além disso, custa mais que a rival. Com preço competitivo, a Spin ainda tem espaço para evoluir, masé a melhor opção do segmento.

Fonte: http://quatrorodas.abril.com.br/carros/comparativos/chevrolet-spin-x-nissan-grand-livina-700392.shtml